Tuesday, December 18, 2007

Certificação de manuais escolares

O Ministério da Educação vai ter de certificar os manuais escolares. Eu digo vai ter, porque após muitos anos de liberdade total, os editores, autores e escolas não demonstraram o mínimo de sensatez e discernimento neste assunto. Assim, teremos de ter manuais inspeccionados nas mais diversas características, e não só no conteúdo, mas também nas características mecânicas, como sejam o peso e a robustez. Talvez agora as crianças em idade escolar possam não andar carregadas com muitos quilos de "sabedoria" inútil que serviam só para dar lucros chorudos aos seus produtores.

Wednesday, December 12, 2007

Blogs

Quando se percorrem os servidores de blogs mais conhecidos encontram-se blogs com tema, sem tema, de texto ou de desenho, fotografia e som. Há blogs científicos, de charlatanice, de poesia, políticos, técnicos, religiosos, ateus, de direita, de esquerda, de coisa nenhuma e de tudo um pouco.
Porque será?
Muita gente tem algo para dizer, para partilhar e este meio veio possibilitar que se concretize esse desejo.
A comunicação social, em geral, está ao serviço de grupos económicos, religiosos, políticos, etc., de forma que os cidadãos comuns se afastam das suas escolhas editoriais, e arranjam maneira de publicitar as suas ideias ao arrepio dos fazedores oficiais de opinião.
Alguns, mais previdentes, resolveram entrar por este espaço para competirem com os orgãos oficiais, mas, por muita audiência que tenham, têm sempre muitos concorrentes diversificados, com audiências inferiores, é certo, mas multiplicada por muitos milhares.

Petição a favor da porcaria

No Público de hoje, aqui, noticia-se que está on line uma petição contra a fiscalização, pela ASAE, das condições de higiene nos restaurantes e similares.

A petição tem neste momento, 1907 assinaturas, o que é extraordinário, uma vez que o texto é completamente idiota, tentando assacar à fiscalização aquilo que é da competência dos legisladores. Claro que o texto, dá a entender que o que está em perigo são as tradições (palavra horrenda que serve quase sempre para justificar o injustificável) e não a saúde pública. Sim, porque quando não se lavam convenientemente as louças e vidros, quando se toca com as mãos sujas na comida, ou quando existem ratos e baratas na cozinha e despensa é da saúde, bem de valor incalculável, que se trata.

A petição tem duas particularidades, uma, é a de conseguir centenas de assinaturas num intervalo de tempo muito curto, talvez pela publicidade que o Público lhe fez, a outra é de a maior parte dos "signatários" não colocar o número de bilhete de identidade, o que permite mais facilmente toda a espécie de fraudes.


Monday, December 10, 2007

A maior árvore de Natal da Europa

é no Porto. Já foi em Lisboa. Trata-se, não de uma árvore, mas de uma estrutura metálica cónica na qual são instalados milhares de pontos luminosos. O objectivo é a publicidade a um banco cuja vida comercial tem sofrido fortes reveses nos últimos tempos. Este ano foi decidido levar a tralha toda para o Porto, que bom! E é bom porque se evita parte dos engarrafamentos que os basbaques causavam em torno do Terreiro do Paço, para ver o monstro. Para quem tinha de lá passar, um pesadelo, a somar ao aumento normal de trânsito neste época festivo-comercial.

Thursday, November 29, 2007

Associação profissional de capelães

Segundo o Diário de Notícias os capelães, presumo que católicos, vão criar uma associação sócio-profissional.
Embora não seja explícito, penso que se trata de uma associação tipo sindicato.
Será que vamos assistir a reivindicações salariais com greve e manifestações. Estou extremamente curioso em ver o que vão fazer.
Quanto a mim dali não se espera coisa boa.

Wednesday, November 28, 2007

A catequese e o Sr.Vingt-Trois

Quando tento argumentar que a catequese é uma forma de condicionamento intelectual a que as crianças devem ser poupadas, visto que pode ter consequências no futuro, a resposta em geral conduz a que sendo muito pequenos os pobres petizes não entendem nada e depois mais tarde escolherão a sua própria vida.
Esta mentalidade pode ser discutida sob vários pontos de vista, desde se é inútil para que se faz até ao facto de as crianças não serem propriedade dos respectivos pais.

No entanto, há poucos dias o Sr.Vingt-Trois, bispo de Paris, ICAR e alto dignitário, numa entrevista ao Le Figaro dizia o seguinte:

...Em virtude da forte baixa da catequese muitos adultos nem sequer têm de tomar posição em relação à fé cristã, uma vez que ignoram tudo sobre ela. Os seus símbolos,as suas palavras de referência tornaram-se para eles elementos estranhos ou exóticos!...


Eu diria: que bom!

Friday, November 16, 2007

Ciência das Religiões, Paulo Portas

Descobri recentemente a existência de uma licenciatura com este nome na Universidade Lusófona. Fiquei deveras espantado, porque a designação se aparenta na minha opinião com Psicologia dos Calhaus a Física da Bruxaria. Ou seja, o nome da licenciatura contém uma contradição intrínseca nos seus termos, ou é Ciência ou é Religião.
Os pressupostos das duas actividades são completamente diferentes:
1 - a Ciência tenta explicar os fenómenos naturais com teorias e experiências de forma a poder prever acontecimentos futuros com algum rigor, ou pelo menos com uma imprecisão conhecida
2 - as Religiões assentam em dogmas indiscutíveis a partir dos quais se extraem ilações não demonstráveis sobre seres "sobrenaturais".

O mais estranho é que a descoberta foi feita através da lista de blogs da Associação República e Laicidade que cita expressamente o blog RE-Ligare de docentes da referida licenciatura.

Nota - o blog a esta data contem um elogio ao ex-ministro da Defesa Paulo Portas, o tal que comprou os submarinos e fotocopiou 60000 documentos do Ministério a expensas próprias

O vinho de Francis Ford Coppola

Como o cinema se está a infantilizar cada vez mais na mira de fazer lucros cada vez maiores, independentemente da qualidade do produto final, Francis Ford Coppola decidiu viver da sua propriedade (Rubicon Estate) e do vinho que produz. Alia a qualidade a um preço alto, o que lhe permite produzir os filmes que faz, independentemente das regras dos estúdios.

A ICAR e as agressões

O Correio da Manhã publica hoje uma notícia em que, resumidamente, se relata o caso de um rapaz que foi agredido pelo catequista, por alegadamente estar a espreitar as raparigas num acampamento.
O caso reveste formas muito interessantes, reveladoras do pensamento e atitude de uma série de pessoas que têm influência na estrutura da sociedade e que conduzem lamentavelmente a atraso do progresso:
1 - O catequista, em vez de explicar que violar a privacidade de outrem é um comportamento socialmente condenável, e não só em relação ao outro género, optou pela via da estalada, aliás de acordo com os ensinamentos da bíblia, mas que não são aceitáveis numa sociedade de direito;
2 - A procuradora da República achou que o catequista estava no exercício de um direito(!!!);
3 - O padre de Lamego "não sabia de nada", reprovou a atitude em geral, mas também ressalvou que por vezes é difícil manter a calma, o que aliás vem na linha do que foi defendido, salvo erro, pelo chefe do santuário de Fátima, no que diz respeito às relações conjugais.

Felizmente a Relação repôs a legalidade democrática.

Assim vai a ICAR em Portugal.


Thursday, November 15, 2007

Ordem dos médicos superior ao Povo Soberano

A Ordem os Médicos não cumpre a Lei da IVG, aprovada por referendo e pela AR. O Bastonário anunciou que não vai alterar o Código deontológico que impede TODOS os médicos portugueses de praticar o acto, sob pena de expulsão da Ordem e consequente impedimento do exercício da profissão.
Aguardemos pela acção das Instituições Republicanas sobre este assunto.
Pode uma organização nacional ter um regulamento interno que contraria a Lei? Ainda mais neste caso em que a Ordem dos Médicos funciona como corporação de ofício em que só quem a ela pertence pode exercer Medicina. E ainda mais: este poder é-lhe concedido por nós, cidadãos, através do Estado.


Wednesday, November 07, 2007

Acidente rodoviário

O País emocionou-se por causa de um acidente rodoviário na A23 que custou a vida a 16 pessoas.

Além do facto em si há que notar o seguinte:

1 - A maioria dos passageiros do autocarro não levavam cinto de segurança posto, em contravenção à lei. O motorista não tomou as providências necessárias para obrigar os passageiros a cumprir com o regulamentado, incluindo a opção de não seguir viagem.

2 - O acidente terá sido provocado por um carro ligeiro ocupado por quatro passageiros, todos professores do ensino básico e secudário, que abandonaram o local e as vítimas sem sequer chamar os socorros.

3 - O autocarro da Câmara Municipal da Covilhã tinha transportado pessoas para uma excursão a Fátima e a outros locais, colaborando assim na grande aldrabice da ICAR.


Thursday, November 01, 2007

Ota, Alcochete

A comunicação social e a CIP promovem hoje a solução Alcochete. Dizem que custará 3 mil milhões de euros menos que a soluçao Ota. Atendendo a que o custo previsto para a Ota era desta ordem de grandeza o Governo deve decidir já por Alcochete, uma vez que esta fica quase de graça.
Já me esquecia de dizer que a CIP aumentou o preço da Ota para 6 mil milhões de euros.

Wednesday, October 31, 2007

A distopia liberal sobre a escola pública

Em relação aos rankings escolares O Zero de conduta publica textos intitulados "A distopia liberal sobre a escola pública" que são imprescindíveis.

Monday, October 29, 2007

Canonizações, beatificações, ICAR

Muitas das canonizações e beatificações são "politicamente neutras", interessando só à ICAR o efeitos de publicidade que provocam, com o consequente reavivar de fé e crença que leva sempre a uma entrada reforçada de receitas nos cofres do Vaticano.
Ontem, no entanto, com a beatificação de cerca de 500 "vítimas" e "mártires" da Guerra Civil Espanhola (1936-1939) em que figuravam exclusivamente pessoas do lado fascista de Franco, apoiado activamente por Mussolini e Hitler, a ICAR tomou uma posição política clara, e que só peca por tardia, uma vez que confirma o que muita gente já sabia: a ICAR sempre apoiou e apoiará os regimes ditatoriais de índole nazi-fascista. Trata-se do meio ambiente ideal para o funcionamento de uma organização que pretende controlar o pensamento dos cidadão através de censura e de lavagem ao cérebro, a fim de obter ganhos pecuniários fabulosos que lhe permita sustentar o modo de vida dos seus principais dirigentes.

Friday, October 19, 2007

Constituição europeia (5)

Foi aprovada ontem a Constituição Europeia, disfarçada de Tratado de Lisboa. Este subterfúgio, conseguido sobretudo pelo abandono do hino e da bandeira, que chamavam demasiado a atenção para o federalismo vai permitir aos Governos fugir aos temidos referendos. Que democracias são estas em que os Governos não têm confiança nos concidadãos? O sabem que estão a fazer algo muito errado, ou acham que são vanguardas iluminadas a prosseguir um caminho que a generalidade das populações reprovaria, se consultada.

Se os regimes democráticos abandonam os princípios e mecanismos próprios da Democracia, conforme as conveniências, então como podem criticar as ditaduras?


Friday, October 12, 2007

Afinal não são cómicos, são publicitários

O Diário de Notícias publica hoje a continuação da notícia de ontem dizendo que a canonização não é necessária e quando o reitor do santuário diz:

"Eu até acho muito bem que isto se escalone, de maneira a haver um certo crescendo, uma certa manutenção da mensagem", sustenta. E declara pensar que neste momento "está suficientemente viva a devoção para com aquelas crianças e a importância que essa devoção tem para com as outras crianças e as outras famílias". Já quanto às dúvidas sobre a documentação que sustentava a cura miraculosa, adianta: "É preciso que haja milagre e, para sabermos que há milagre, temos que ter documentos." O que acontece, diz, é que "por enquanto não há milagre e terá que haver o milagre" para que sejam canonizados.

demonstra que estudou muito bem as técnicas publicitárias, e que é preciso apresentar o produto em sucessivas vagas de implementação na comunicação social, para manter viva a apetência de compra.

Thursday, October 11, 2007

Milagres claros ou os cómicos de serviço

"Caso os clínicos concluam que a cura ocorreu por motivos naturais, será "preciso rezar aos pastorinhos para que façam um milagre mais claro", concluiu D. Saraiva Martins." no Diário de Notícias de hoje.
Não sabia que havia milagres claros e outros escuros, sempre pensei que eram todos escuros. Pelos vistos até a ICAR acaba por ter vergonha de andar a aldrabar descaradamente os crentes e opta por não "validar" certas curas ditas milagrosas. Aliás, para manter o negócio em funcionamento não é preciso milagre nenhum, como se pode constatar através da construção de uma igreja de custo super milionário em Fátima.


Monday, October 08, 2007

Tratado Europeu (Constituição Europeia)

Artigo 1.º
O Tratado da União Europeia é alterado nos termos do presente artigo.
Preâmbulo
1) O preâmbulo é alterado do seguinte modo:
a) é inserido um segundo considerando com a seguinte redacção:
"INSPIRANDO-SE no património cultural, religioso e humanista da Europa, de que emanaram os valores universais que são os direitos invioláveis e inalienáveis da pessoa humana, bem como a liberdade, a democracia, a igualdade e o Estado de Direito,";

Esta é a proposta que vai estar em cima da mesa.

O património religioso da Europa, com as guerras religiosas, as perseguições, a censura, a intolerância em relação às inovações, a condenação do progresso científico e tecnológico, serve de "inspiração"(!!) aos cozinheiros de um tratado que vai ser subtraído à aprovação popular.
Falar de "património cultural, religioso e humanista" é uma contradição nos próprios termos, uma vez que não se pode ser humanista e religioso simultaneamente, não se pode ser pensador e religioso ao mesmo tempo. Os dogmas matam o pensamento reduzindo-o a obediências cegas.

Friday, October 05, 2007

Capelanias S.A.

Discute-se muito uma Lei nova sobre a "assistência espiritual" nas Forças Armadas, Hospitais e Estabelecimentos Prisionais.
Em resumo o Governo pretende (ou pretendia) eliminar dos custos do Estado uma actividade que só diz respeito a um subconjunto de cidadãos. Simultaneamente era eliminada a publicidade agressiva da confissão católica, que ataca pessoas em situação de inferioridade física e mental.
Claro que a ICAR, principal prejudicada com esta acção, saiu à rua com todas as armas de que ainda dispõe e disporá assestando a mira sobre tudo o que a contraria, apresentando razões para a manutenção do status quo que são absolutamente irracionais.
Por outro lado, aqueles que se opõem à ICAR aduzem uma série de argumentos extremamente válidos e pertinentes para pessoas de boa fé, como sejam o tratamento igualitário de todos os cidadãos, a iniquidade do pagamento de um "serviço" de crença pelo Orçamento do Estado, etc..
Até hoje não vi uma referência ao facto que me parece fundamental na questão: a ICAR é um negócio, logo tem que vender, logo perder clientes e rendimentos é mau, portanto há que lutar contra essa possibilidade.
Para que fique claro, a ICAR não é uma religião (cada um acredita no que quer, felizmente) é, isso sim, um negócio montado sobre uma religião e luta pela sua sobrevivência financeira.



5 de Outubro

Hoje devia comemorar-se a implantação da República em Portugal. Muitos os farão, numa esfera quase privada: revendo as primeiras páginas dos jornais de hoje deficilmente se encontra uma referência à data.
Lá haverá, penso eu, de longe, a romagem ao Alto de S. João, e um discurso na varanda do edifício da Câmara de Lisboa...
Estará a cumprir-se a República? Estarão os desígnios da Democracia a ser seguidos?


Thursday, October 04, 2007

O "bolsês", a Bolsa portuguesa

Devido aos últimos acontecimentos nas bolsas de valores (queda generalizada) passei a prestar mais atenção às notícias que lhes dizem respeito. Abrindo a página de um jornal de economia fica-se logo informado sobre o que se está a passar, se se conseguir compreender a linguagem utilizada. À semelhança do "futebolês" e do "eduquês" o "bolsês" emprega palavras perfeitamente normais na linguagem corrente com significado especial. Por exemplo: se se aplica uma correcção a qualquer coisa, isso quer dizer que se mudou algo que estava errado, mas na bolsa quer dizer que baixou de valor. Por outras palavras, os valores elevados estão sempre errados a não ser que pertençam a alguém muito importante e que quer vender. Outra característica especial desta linguagem é o emprego de termos estrangeiros, mesmo quando completamente desnecessários: spin-off, sub-prime, underperform, etc..
Em relação à Bolsa Portuguesa é para mim um mistério, a razão pela qual, neste tempo de globalização, ela sobe quando as outras descem e vice-versa.

Wednesday, October 03, 2007

A ICAR de mão estendida em direcção ao Estado

O Público de hoje insere uma notícia sobre as "desgraças" da ICAR, que, coitadinha, tem umas obras sociais óptimas e quer que os Estado, ou seja, todos os portugueses, pague.
O problema é que a ICAR, que recebe uma quantidade de benefícios estaduais absolutamente obscena, montou aquilo que chama uma rede de serviços sociais e pretende que seja o Estado a pagar. Depois, vem vangloriar-se, dizendo que faz e que acontece, não esclarecendo que aquilo que faz é com o dinheiro de todos nós.
As declarações do Sr. Policarpo sobre a concordata são absolutamente lapidares e devem pôr de sobreaviso em relação às intenções da ICAR:
"As instituições da Igreja não existem com finalidade lucrativa. Não podem ser consideradas privadas, são de natureza pública. O Estado aceitou a Concordata, não para ser simpático com a Igreja, mas para potenciar o serviço da Igreja na sociedade. Essas instituições são um serviço público."
Veja-se que uma instituição que se baseia numa aldrabice monumental e durável se pretende transformar num serviço público, e voltar aos tempos de teocracia e obscurantismo estadual.
A ver vamos se o Governo lhes dá ouvidos, no tempo do Durão Barroso já ganharam terreno, é preciso fazer barreira contra estes vigaristas.
No meu entender só a denúncia unilateral pelo Estado Português, do tratado chamado Concordata porá fim a este lamentável estado de coisas.

Ver MUITO CUIDADO,
Privilégios da ICAR


Tuesday, October 02, 2007

Santana Lopes e Mourinho

De longe lá vou acompanhando as loucuras deste País tão interessante...
A última habilidade foi a de Santana Lopes (SL), grande Presidente da Câmara de Lisboa e grande Primeiro Ministro, se ter levantado e saído quando estava a ser entrevistado na SIC porque o seu discurso foi interrompido pela chegada de Mourinho, treinador de futebol, ao aeroporto.
De facto, que ofensa, SL nem sabe nada nem quer ter nada a ver com futebol, só foi Presidente do Sporting, fez uma obra exemplar nos cargos políticos que exerceu, exemplos a não seguir, nem de longe.
Mais uma vez a comunicação social e os meios políticos promovem SL a herói (?!!) e nós, os desgraçados dos cidadãos, iremos ter de o aturar a dizer as baboseiras do costume sobre as idiotices habituais, e eventualmente assistir à entrega de um tacho qualquer a tal energúmeno...
Para que fique calado, claro.

Friday, September 21, 2007

E aqui temos o primeiro grande democrata

O primeiro ministro holandês anunciou que se opõe a um referendo ao tratado europeu, vulgo Constituição Europeia.
Recorde-se que o primeiro tratado foi recusado pelo povo holandês, à semelhaça do que aconteceu em França.

Tratado de ateologia

Traité d'athéologie, Michel Onfray


éd. Livre de poche, 2006

" Les trois monothéismes, animés par une même pulsion de mort généalogique, partagent une série de mépris identiques : haine de la raison et de l'intelligence ; haine de la liberté ; haine de tous les livres au nom d'un seul ; haine de la vie ; haine de la sexualité, des femmes et du plaisir ; haine du féminin ; haine des corps, des désirs, des pulsions. En lieu et place de tout cela, judaïsme, christianisme et islam défendent : la foi et la croyance, l'obéissance et la soumission, le goût de la mort et la passion de l'au-delà, l'ange asexué et la chasteté, la virginité et la fidélité monogamique, l'épouse et la mère, l'âme et l'esprit. Autant dire la vie crucifiée et le néant célébré... "

Livro brilhante, editado em português pela ASA



As hipocrisias da diplomacia

Discute-se muito hoje a presença ou ausência de Mugabe e Brown na cimeira África-UE. Seria evidente para a maioria das pessoas que, uma vez que o primeiro ministro do Reino Unido recusa sentar-se à mesa com o ditador, a escolha seria Brown. No entanto, e possivelmente à espera de ganhos futuros no Zimbabwe, muitos dos Governos que vão estar presentes "encolhem-se" e nada dizem.
O mesmo se pode referir em sentido contrário, isto é, se se exigir que todos os Governos a participar na cimeira obedeçam aos cânones das democracias, corre-se o risco de ter um dos lados da mesa quase vazio de delegações.

Wednesday, September 05, 2007

Ideia Suiça


Cartaz espalhado por toda a Suiça pela UDC, partido no poder e cujo leader poderá ser para o ano o Presidente da Confederação.


Tuesday, September 04, 2007

10000 livros destruídos

Na noite de 8 para 9 de Agosto passado foram regados com gasóleo e óleo cerca de 10000 livros com o fito de os tornar imprestáveis para a leitura.
Esta acção, digna da melhor tradição inquisitorial ou nazi, teve lugar na abadia de Lagrasse, perto de Toulouse, que pertence ao Conselho Geral da região. Na parte pública deste estabelecimento realizava-se uma exposição de livros de uma livraria local que abrangia todos os temas que se podem encontrar habitualmente num estabelecimento do género, e, como complemento realizou-se uma "Noite Sexual" que consistiu na exibição dos filmes "O império dos sentidos" e "Salo" de Oshima e Pasolini, respectivamente.
Oficialmente os culpados ainda não são conhecidos, mas não é difícil de imaginar quais são as forças obscurantistas que inspiraram tal acto de vandalismo.

O capitalismo em férias

Neste mês de Agosto o capitalismo mundial teve um sobressalto, mais um, que levou à queda generalizada das bolsas e ao pânico dos investidores, principalmente dos privados. O facto de que algum crédito mal parado nos EUA ter conduzido a uma situação mundial demonstra que todas as economias estão inter-ligadas, sendo impossível evitar, actualmente, a influência de umas nas outras. A diferença, enorme, desta crise, em relação a outras mais ou menos próximas no tempo, foi a rapidez com que ela foi travada e a maneira como as suas consequências foram minoradas.
De facto, a intervenção rápida dos Bancos Centrais Europeu e Americano, levaram a colmatar uma situação que poderia ter levado a um colapso económico global.
Deste facto se pode concluir que tem sempre que existir um orgão estatal de controle e com possibilidade real de intervenção (neste caso dispor de biliões de euros e de dólares), sem o que o sistema capitalista se afundará. Ou seja, os sistema tem que gerar excedentes que permitam a sua salvação em tempo de crise, excedentes estes que são retirados à produção e à remuneração do trabalho e do capital.

Thursday, July 26, 2007

As antenas de telemóvel

Aqui está parte de uma notícia publicada no Jornal de Noticias de hoje:
Face a este receio, acrescentou José Moreno, a "Parque Expo remeteu-nos para uma circular da Direcção-Geral de Saúde que afirma que face aos conhecimentos científicos actuais e aos resultados de inúmeros estudos epidemiológicos desenvolvidos até ao momento, não existe perigo para a saúde das populações". Mas, afirma, alarmado, José Moreno "Eles não garantem a inexistência de perigo".
Como se vê é de um rigor espectacular, o assunto referido é a instalação de umas antenas de telemóvel, mas se fossem sinais de trânsito os dois textos entre aspas podiam ser iguais.

Apitos dourados e ciclismo

Qual será a ligação entre o futebol, o ciclismo e a corrupção?
É obviamente o dinheiro. Aquelas actividades impropriamente chamadas desporto geram receitas fabulosas, e suscitam a cobiça de muita gente.
Quando não há força ou rapidez suficiente para se ganhar e ganhar os prémios toca de tomar todas as drogas possíveis e que sejam indetectáveis, ou de adoptar processos artificiais de melhoria de desempenho, que também sejam difíceis de distinguir.
Todos estes procedimentos resultam de investigação científica clandestina, necessariamente muito cara, e que têm de se manter à frente das possibilidades das autoridades ditas desportivas.
Só as verbas de financiamento vindas de patrocinadores, televisões e espectadores permitem estado de coisas.
Por mim podem drogar-se à vontade, uma vez que não se trata de desporto, mas de espectáculos em que só o desempenho conta.

Thursday, July 19, 2007

Radares, nacional espertisse

Foram instalados em várias artérias de Lisboa radares de medição de velocidade, que, ligados a um sistema central permitem emitir de forma expedita as notas de cobrança das multas por excesso de velocidade. Os sistema dispõem de uma pré-detecção que, em caso de possível infracção, avisa os condutores acendendo um painel que relembra em tamanho garrafal o limite em vigor no local e só 300m depois a velocidade é medida efectivamente. Os sistema esteve em funcionamento experimental durante seis meses, registando cerca de 500 mil contravenções virtuais, isto é, sem punição aplicada.
Quando o sistema entrou em funcionamento efectivo, há dois ou três dias, seria de esperar que não houvesse, ou que houvesse muito poucos prevaricadores, mas só no primeiro dia foram detectados cerca de quatro mil veículos em excesso de velocidade.
Além deste facto espantoso, há que referir a atitude de muitos meios de comunicação, de Professores do IST e do Automóvel Clube de Portugal: os radares estarão mal postos, os limites de velocidade mal definidos (não deveriam ser aqueles), etc..
Para a generalidade destas pessoas a Lei não é para cumprir sempre e em todos os lugares, é para cumprir quando dá jeito e onde nos aprouver, ou seja, se ninguém estiver a ver não há problema, a questão só se põe se a autoridade legítima decide observar o comportamento dos cidadãos e punir os infractores, e quando isso acontece estes armam-se em vítimas e são apoiados por entidades insuspeitas, ou que o deveriam ser.
Está à vista onde este raciocínio, que é de facto geral na nossa sociedade, no pode levar: pode-se praticar qualquer crime, desde que não se seja apanhado. Felizmente que, na maioria dos casos, a regra é aplicada só a pequenos delitos, mas imagine-se o que seria se se generalizasse a todo o tipo de contravenções à Lei.

Monday, July 16, 2007

A objecção de consciência

Decididamente a democracia pode conter em si própria os germes da sua própria destruição ou subversão. Na ânsia de precaver abusos instalam-se dispositivos jurídicos que devem proteger as minorias da "ditadura" da maioria. Mas, por vezes, as minorias usam esses mesmos dispositivos para bloquear decisões tomadas pela maioria de forma legítima, através das Instituições legais do Estado.
É o caso dos "objectores de consciência" em relação à IVG. O legislador previu que os profissionais de saúde que prestam cuidados nos serviços públicos possam objectar a esta prática com fundamento na sua consciência. A IVG, sob certas condições, é legal e foi aprovada, em referendo, na Assembleia da República, pelo Governo e pelo Presidente da República, pelo menos, mas há algumas pessoas que decidem que, embora tenham contrato com os Hospitais, não querem executar esse acto médico. A situação seria estranha, se não acontecesse que existam Instituições onde não é possível realizar IVG por falta de pessoal devidamente qualificado, uma vez que todo o pessoal decidiu objectar. Aqui temos uma situação que não configura protecção de minorias, mas sim boicote organizado às leis da República, que não deve ser tolerado de forma nenhuma.
Imaginemos que os motoristas de táxi decidiam que era contra a sua consciência travar o automóvel, ou que os carteiros se recusavam a transportar envelopes de uma certa cor, ou ainda que os jornalistas se coibiam de noticiar o que se passa dentro da área metropolitana do Porto, ou seja, que os membros de uma profissão se diziam impedidos de realizar parte das tarefas que lhe são cometidas habitualmente. Evidentemente que se apregoaria que se estava a assistir a uma manobra corporativa de subversão da lei.
Neste caso não, e não se tomam medidas, como por exemplo, a redistribuição dos objectores para assegurar que em cada estabelecimento haja um certo número de não objectores.
Se a actividade é legal e aceite, não deveria haver o estatuto de objector de consciência, é a conclusão que se tira.

Wednesday, July 11, 2007

Mircea Pavel, romeno de Timisoara

Mircea Pavel, romeno de Timisoara, resolveu processar deus, representado pela Igreja Ortodoxa. Segundo o referido senhor, que se encontra preso por vários crimes, deus teria feito um contrato com ele no momento do baptismo, em que se comprometia a livrá-lo do mal. Como isso não aconteceu, Mircea resolveu processar deus, na pessoa daqueles que se afirmam seus representantes, por incumprimento contratual.
Infelizmente a Procuradoria de Timisoara não foi da mesma opinião, uma vez que deus não tem morada certa e indeferiu o caso não o levando a julgamento.
Por cá haveria muitos casos semelhantes se a nossa Procuradoria, que não é muito lesta a investigar casos muito terrenos, fosse capaz de descobrir a morada do tal senhor.

Muito cuidado

Sim, muito cuidado. Nos últimos dias passaram-se três acontecimentos, aparentemente desconexos, mas que alertam para o cuidado que se deve ter em relação à ICAR:
I - A ICAR publica um documento em que se afirma como a única Igreja de Cristo, e que todas as outras religiões cristãs nem igrejas são;
II - A ICAR, através da sua Conferência Episcopal faz um ataque cerrado ao Governo Português, em termos completamente inaceitáveis;
III - Os Hospitais das Misericórdias recusam-se a particar IVG segundo a Lei Portuguesa.
O primeiro ponto não me incomodaria nada se não se tratasse de um trampolim para os outros, porque não tenhamos ilusões, nada do que politicamente a ICAR faz é por acaso, é tudo muito bem orquestrado a nível internacional (não sei o que se vai passar noutros países).
O acontecimento que refiro no segundo ponto é gravíssimo, porque se trata de um ataque aos Orgãos de Soberania do Estado Português, que é laico. O que a ICAR refere como ataques a si própria é a falta de vontade do Governo em a subsidiar, em variados aspectos e actividades, com o dinheiro de nós todos. Imagine-se que se vão diminuir os subsídios aos colégios confessionais católicos dizem eles, e muito bem, digo eu. O Estado não deve subsidiar nenhum ensino privado, quem quiser optar por ele deverá pagar do seu próprio bolso, mas o que a ICAR pretende é sobrepôr-se, usando a Concordata, não só ao ensino laico, como ao ensino das outras religiões. No fundo estão a usar o dinheiro do Estado, dos impostos, para propagarem a sua religião, o que não me parece que seja a função desse mesmo Estado.
Quanto ao terceiro ponto, se as Misericórdias fossem uma instituição privada, que não recebesse subsídios enormes do Estado e não gozasse do monpólio dos jogos de apostas e outros, eu poderia estar de acordo, mas nas condições reais em que funcionam, não deveriam poder tomar esta atitude sem que as benesses lhes fossem retiradas.

Monday, July 09, 2007

Tendência para a asneira

Parece que os humanos têm tendência para a asneira. Senão vejamos, no sábado passado, dia 7 de Julho de 2007, deram-se alguns factos que levam a crer neste facto.
I - Festejou-se o dia como se fosse alguma coisa de especial, sem se ter em conta que os números da data dependem de onde se coloca a origem da contagem, ou seja, segundo o calendário indiano ou o israelita não houve nada de especial. No entanto, os comerciantes, sempre de atalaia à espera de saltar sobre os consumidores com um dia disto ou daquilo conseguiram promover o 07/07/07 para casamentos, principalmente. Apesar de se manifestarem contra as superstições, não me consta que tenha havido alguma seita religiosa a recusar actos para esse dia.
II -No mesmo dia foram "eleitas" a novas sete Maravilhas do Mundo, que pretendem substituir as do Mundo Antigo. Pelo resultado verifica-se que se devem ter esquecido que se tratava de votar nas novas sete Maravilhas do Mundo e não nas Maravilhas que resistiram assim assim ao passar do tempo. E lá veio o Coliseu de Roma ( que, segundo uma velha anedota, depois de pronto fica lindo), Machú-Pichú, Petra, a Muralha da China, o sinaleiro do Rio, etc..
As Maravilhas do Mundo antigo eram-no efectivamente, ou seja, estavam em bom estado, desempenhavam as suas funções e, sobretudo eram únicas e produto de um engenho fora do vulgar para a época de que eram contemporâneas.
III - Live earth - foi uma espécie de festival de música, predominatemente anglo-saxónica, que pretendia chamar a atenção para o aquecimento global provocado pelo efeito de estufa devido principalmente ao dióxido de carbono. Alguém questionou quantas toneladas de CO2 foram libertadas directa ou indirectamente devidas a este acontecimento? Quantos viajaram e viajam de avião particular? Quantas toneladas de material foram deslocadas para efectivar os espectáculos?

Todos iguais, mas uns mais que os outros

Segundo a agência I.Media, especialista em assuntos do Vaticano, será publicada amanhã uma nota de reforço do texto "Dominus Iesus" de 2000 em que se afirma que a ICAR é a única igreja cristã verdadeira, sendo todas as outras uns "relativismos eclesiológicos". Como para eles todos a religião cristã é a única verdadeira, o resultado final é evidente.

Wednesday, July 04, 2007

O proselitismo das religiões

Suponhamos, de uma forma muito imaginosa, que o Eng. Belmiro de Azevedo, e uso este nome apenas porque é muito conhecido, vinha dizer que a sua gestão da SONAE era inspirada por um deus qualquer, que teria aparecido na cúpula de um dos seus centros comerciais e lhe tinha comunicado as suas preferências através de um telemóvel Optimus.

Logo seria alvo de dois tipos de epítetos, ou estava louco, ou era um grandessíssimo aldrabão, vigarista e outras coisas parecidas. Em qualquer dos casos o que estaria a fazer era tentar arranjar mais clientes para as suas múltiplas empresas.

Como este empresário, e muitos outros que se assumem por esse mundo fora nessa mesma qualidade e dispensam inspirações divinas para angariarem freguesia, recorrendo antes aos meios normais de publicidade, não há que os censurar: é o seu modo de vida, ofício, emprego, meio de angariar sustento, chame-se-lhe o que se quiser.

Nas religiões organizadas o caso é, aparentemente, diferente, os constituintes das organizações fingem que nada ganham com o que fazem, fingindo que quem ganha são os adeptos. Se olharmos para a maneira de viver dessas pessoas verificamos que a maioria (há excepções) vive no luxo e goza de facilidades completamente interditas ao cidadão comum. Para manter esta situação todas as seitas necessitam de aumentar o número de adeptos para que as contribuições para o funcionamento da seita aumentem, e, portanto há que recorrer à publicidade.

Para manter as aparências as seitas não podem pôr anúncios nos jornais ou na TV, por exemplo, dizendo que a seita X leva o adepto mais depressa para a salvação (o que quer que isso seja) sem estragar o fato. Têm que ser mais subtis, arranjam uns programas pseudo-culturais em que o objectivo é o mesmo, enviam visitantes a casa, ou abordam os incautos na rua. É isto o proselitismo. Acusar uma seita, como a ICAR, de proselitismo é o mesmo que acusar uma vaca de dar leite, ou uma águia de voar: faz parte da sua natureza e sem essa atitude não sobreviveriam.

Que exemplo o do baptismo, em que, na maioria dos casos, um inocente bebé é iniciado na religião. Se não fosse ateu diria que se deus quisesse que tivessemos religião nos faria nascer já baptizados (ou outra coisa, conforme a religião).

Temos é que nos defender e defender os nossos da contaminação por esses aldrabões e evitar que o proselitismo, cada vez mais activo, de todas essas seitas tenha sucesso na sociedade em que vivemos.

Este post foi despoletado por outro, da autoria de Carlos Esperança, "O proselitismo do Opus Dei"

Monday, July 02, 2007

Nascer além fronteiras

Alguns amigos meus estão muito escandalizados com o facto de cidadãos portugueses, neste caso cidadãs, terem de dar à luz os seus filhos em Espanha. Esta opinião releva sobretudo o caso de Elvas e das parturientes que se têm de dirigir a Badajoz. Sempre me manifestei contra esta opinião, porque sempre me foi difícil comprendê-la. Para mim nascer para cá ou para lá de um traço, mais ou menos imaginário, existente numa dada região do globo é absolutamente irrelevante. O que conta é o futuro, a cultura que o cidadão em embrião vai absorver e mais, vai espalhar no ambiente que o rodeia.
Vem este comentário a propósito de uma notícia do Público do dia 1 de Julho em que se refere que no hospital de Badajoz se fazem cursos de português frequentados por algumas centenas de pessoas para darem assistência conveniente às parturientes e familiares, assim como para alargarem os serviços prestados a outras especialidades médicas que a diminuta população de Elvas merece, mas a que não tinha direito.
Regozijo-me com o facto de bebés portugueses estarem a provocar a disseminação da nossa língua, que é sem dúvida o veículo primordial para a nossa cultura, e enquanto houver língua e cultura há Nação.
Na mesma notícia refere-se que durante um ano de vigência deste regime nasceram em Badajoz 260 portugueses entre o total de 3000 crianças cujo nascimento ali teve lugar o que corresponde a 95% dos partos da região o que demonstra que os portugueses são pobres, mas não são parvos, e escolhem o melhor.

"Não tenho sentimento nenhum politico ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriotico. Minha patria é a lingua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incommodassem pessoalmente, Mas odeio, com odio verdadeiro, com o unico odio que sinto, não quem escreve mal portuguez, não quem não sabe syntaxe, não quem escreve em orthographia simplificada, mas a pagina mal escripta, como pessoa própria, a syntaxe errada, como gente em que se bata, a orthographia sem ípsilon, como escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.

Sim, porque a orthographia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-m'a do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha."

Bernardo Soares, O livro do Dessassossego


Friday, June 29, 2007

Comissão de liberdade religiosa

Que eu saiba não há em Portugal perseguições religiosas, não há ninguém preso, condenado ou ameaçado por professar uma certa religião.
Para que servirá então a Comissão de liberdade religiosa, de que foi nomeado Presidente Mário Soares?
Serve para justificar os previlégios de que goza a ICAR e fingir que as outras organizações religiosas têm o mesmo tratamento perante a Lei. Claro que não têm. Já tratei de parte deles, consubstanciados na Concordata, que é uma aberração jurídica em qualquer estado laico.
Um estado laico pura e simplemesmente não tem que interferir na esfera do privado e do que releva da consciência de cada um, nem para um lado nem para o outro. Apenas tem que garantir que um cidadão possa seguir a orientação espiritual que bem entenda, desde que não interfira com terceiros, não tem que facilitar, financiar, ou, pelo contrário obstruir a acção de qualquer seita ou religião organizada.
Que faz então Mário Soares na tal Comissão? Esperemos que não sirva para caucionar uma política de entrada das religiões nas estruturas do Estado Português, entrada essa paga pelo erário público, à semelhança do que acontece com a ICAR.


Casamentos religiosos

Não tenho nada contra o casamento religioso em si, mas acho que o Estado deu um passo na direcção contrária àquela que seria aconselhável para um Estado laico. Efectivamente a República Portuguesa não tem nada a ver com a maneira como as pessoas vivem dentro de casa, a não ser para efeitos fiscais, portanto, uma declaração de co-habitação, ou de economia comum deveria ser suficiente do ponto de vista civil, podendo as pessoas casar-se depois segundo o rito que mais lhes agrade, e que até pode ser nenhum.

Wednesday, June 27, 2007

A grande táctica para o aeroporto

No Diário de Notícias de 26 de Junho publica-se um extenso artigo de Fernando Seara, comentador de futebol, Presidente da Câmara de Sintra eleito pelo PSD, sobre o futuro aeroporto internacional de Lisboa. A sua opinião não teria mais importância do que muitas outras se Sintra não fosse um dos Concelhos com maior número de habitantes e se o referido senhor não tivesse sido indicado por algumas correntes de opinião como candidato do seu partido à Presidência da Câmara de Lisboa.

Pois, e que opinião é essa? Simplesmente que uma das soluções se pode designar por Portela + 3 (embora o artigo se intitule Portela +2). Como todos pensamos que se pode estar a ler mal, vale a pena analisar o conteúdo do artigo e que especifica que se mantenha o aeroporto da Portela e eventualmente mais três aeroportos.

Se dúvidas houvesse acerca da capacidade de alguns dos nossos políticos para tentarem encontrar as soluções que melhor servem as populações e por consequência o País, este artigo tira todas as dúvidas sobre essa questão. Há alguns que estão ao serviço de tudo menos do interesse público, e até pode ser que só sirvam a própria estupidez e incompetência.

Neste caso particular, basta pensar nos custos de instalação e funcionamento de quatro aeroportos, que uma infra-estrutura destas não é só a pista, é todo um conjunto de apoios aos aviões, aos passageiros e às tripulações. A rede de transportes entre os diversos pontos e as principais cidades e até as dificuldades de gestão do tráfego aéreo para quatro pontos diferentes.

Note-se ainda que, como “bom” político, Fernando Seara consegue produzir um texto extensíssimo em que justifica o injustificável.


Monday, June 25, 2007

A Constituição Europeia (4)

A última reunião do Conselho Europeu realizada em Bruxelas resultou num acordo forçado sobre a "Constituição Europeia", ou sobre o tratado que tem esse nome.
A Polónia e o Reino Unido demonstraram mais uma vez que não se sentem bem na chamada casa comum da Europa e que seguindo o ditado português, o que deviam fazer era mudar-se.

Prepara-se, e as declarações do PM à chegada a Portugal são suficientemente evasivas para fazer temer o pior, uma aprovação de um documento por via de Instituições Políticas, que cozinharão um Tratado de Lisboa, ou do Porto ou de outro lado qualquer para dar a ilusão de coesão à União Europeia e de grande honra aos cidadãos de Portugal.

Ver A Constituição Europeia (1)


O capitalismo na História

Li que um advogado registou o nome Inês de Castro como uma marca de sua propriedade. É escandaloso e revela a sociedade em que vivemos. Em primeiro lugar, uma parte da classe dos advogados, que entorpece a sociedade (portuguesa, neste caso) através da publicação de legislação labiríntica que o comum dos mortais não consegue penetrar, nem que seja por falta de tempo, vale-se do conhecimento que tem dessa parafernália legal para espoliar os restantes cidadãos. Pretendem ser peças do sistema de justiça, mas são na realidade peças chave no sistema de injustiça portuguesa. Em segundo lugar, trata-se de uma apropriação que, mesmo legal, é certamente imoral e abusiva, uma vez que se trata de se apoderar, com resultados financeiros, de um nome que faz parte da história de um país. O nome de Inês de Castro, com verdade histórica ou enfeitado com contornos lendários, aparece ligado a um episódio trágico que é conhecido de toda a Europa culta e daí a cobiça que o seu nome suscitou.

Terá o Estado Português que registar Infante D.Henrique, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, D.Dinis e tantos outros antes que alguém o faça por motivos exclusivamente mercantis? Qual será a posição de António Ferreira e d’«A Castro» actualmente?

Vamos ter sabonete Rainha D.Leonor, facas Afonso Henriques, selas D.Duarte ou fósforos Inquisição?

Não devemos viver da História, mas devemos conhecê-la e respeitar os seus actores.



Friday, June 15, 2007

No fim não haverá religião

Para mim, para ficar já muito claro, as religiões são um negócio gigantesco em que alguns se aproveitam das fragilidades emocionais de muitos outros para fazerem fortuna.

De uma maneira geral todos os religiosos acham que a sua religião é a verdade e que todas as outras são pura fantasia ou superstição. Quem não tem religião acha que todas estão erradas e são manifestações de inferioridade intelectual. Se se perguntar aos primeiros a razão da tais afirmações responderão com dogmas e invocações de palavras ou actos das suas divindades que se auto definem e justificam, enquanto os segundos tentarão usar da lógica e do pensamento racional para concluir aquilo que afirmam.

Nem sempre foi assim, pensa-se que os primeiros homens atribuíram propriedades mágicas a alguns elementos, fossem eles pedras, animais, ou manifestações da natureza, como o raio. Também muito cedo se começou com o culto dos mortos. Em qualquer dos casos tratava-se de explicar o que era inexplicável, e de encontrar um objectivo para a nossa curta existência. Estas noções foram sempre evoluindo de maneira mais ou menos sofisticada, e foram integradas em organizações que se tornaram muito poderosas e ricas nas respectivas sociedades, como por exemplo no Egipto antigo, os oráculos, a ICAR, os evangelistas norte-americanos.

A religião em si não é imutável, vai-se transformando gradual e lentamente de acordo, com as mudanças da sociedade em que tem os principais adeptos, embora algumas das organizações religiosas levem muito tempo a transformar-se. Daí a dificuldade de se ter uma religião universal. As religiões cristãs, por exemplo, com as suas múltiplas seitas, só têm grande aceitação em povos com cultura oriunda da cultura europeia, ou pelo menos com forte influência desta. Continuando a usar a cristandade como exemplo, verifica-se que muitos dos dogmas que são hoje aceites pelos cristãos só foram estabelecidos nos séculos III a X da era comum, como por exemplo a data do hipotético nascimento de Cristo. E, por vezes, o estabelecimento destas “verdades” levou a lutas sanguinárias entre os grupos que preconizavam soluções diferentes e, evidentemente que a opinião prevalecente foi a dos vencedores. Sabemos também que outras religiões, como o judaísmo e o islamismo têm seitas com opiniões religiosas diferentes, que os leva por vezes a guerrear-se entre si, mesmo no mundo contemporâneo.

As sociedades actuais tendem a não colaborar na religiosidade desde que tenham liberdade para isso, daí haver tentativas desesperadas por parte dos negociantes das religiões para as manter a funcionar, mesmo que ninguém acredite verdadeiramente nos poderes das divindades. Claro que há diversos graus de imposição, desde a ocupação da comunicação social para propaganda, instituição de sistemas de educação religiosos, até ao estabelecimento de teocracias de que os estados islâmicos actuais são um bom exemplo. Nestes últimos a vida das pessoas fica ameaçada se se atrevem a contestar a autoridade vigente, como em qualquer ditadura, com a agravante de que o poder é considerado como uma emanação do sobrenatural.

Penso que estas imposições ou manobras provocam reacções, que, a longo prazo, se voltam contra os seus autores, levando a um enfraquecimento efectivo das crenças, o que é positivo na evolução do pensamento. Quando as elites religiosas se apercebem deste fenómeno corrigem o rumo, de forma a não alienar os clientes, mas há sempre alguns destes que se escapam definitivamente e que são uma espécie de sentinelas do conhecimento.

Daqui a muito, muito tempo, quando a Humanidade compreender bem o Mundo de que faz parte e o papel que nele desempenha, e não necessitar de bengalas espirituais para ter estabilidade emocional, a religião desaparecerá (e ninguém lhe notará a falta).

Debate inter-blogues promovido por Helder Sanches sob o tema "Será a religião Eterna e Inevitável?"
Podem-se consultar as regras aqui.

Thursday, June 14, 2007

A Constituição Europeia (3)

Uma das polémicas sobre a CE é provocada pela ICAR e a sua insistência de menção da religião cristã no preambulo.
A intenção é muito clara, plasmar no documento fundamental e refundador da Europa a sua influência, que a organização pretende retratar como simplesmente e somente benéfica.
Do lado contrário perfilam-se aqueles que não querem ouvir sequer falar de tal coisa, sobretudo por atentar contra a laicidade que devem ter todas as instituições públicas. O problema reside no facto de algumas pessoas que se postam neste lado ignorarem, de propósito ou por desconhecimento, a influência efectiva que a religião cristã teve no desenvolvimento da Europa, e isso levar a que possam ser desautorizados com consequências desagradáveis para todo o campo que luta por essa posição.
Seria a Europa aquilo que é sem a Inquisição, sem as Cruzadas, sem as guerras religiosas, sem as perseguições aos heréticos na Idade Média, sem a Reforma, sem a Contra-reforma, sem Tomás de Aquino, sem Agostinho, sem Bernardo de Clairvaux, sem o papa em Avignon, sem Lutero, Calvino, sem queimar Giordano Bruno, sem jesuítas e sem a Opus Dei? Não, não seria.
Seria melhor ou seria pior? Não sabemos. Tudo o que se possa argumentar sobre o assunto é meramente hipotético, uma vez que não podemos realizar a experiência de reviver todo o passado sem os elementos que entendessemos eliminar.
Todos sabemos que foi e é muito difícil implantar a democracia em África ou na Ásia em povos que não sofreram uma influência forte dos Europeus. Porque será que surge esta dificuldade? Porque atrás da influência da cultura europeia está efectivamente a filosofia da religião cristã que teve um papel preponderante entre os séculos III e XVI e que cimentou o princípio de que todos os Homens são iguais. Os filósofos que se seguem, desde Descartes a Nietsche,passando por Marx e Kant, usaram esta base para o desenvolvimento do seu pensamento, sem quelquer espécie de preconceito, chegando, por vezes, a conclusões que contradizem a filosofia de partida.
Em conclusão podemos dizer que a própria existência futura da CE é uma consequência da filosofia cristã. Não é, no entanto, necessário acreditar em poderes mágicos, ou continuar a sustentar uma organização multi-bilionária de crendice supersticiosa para o podermos afirmar.

Tuesday, June 12, 2007

Privilégios da ICAR

O número 27 da revista Atlântico publica um artigo em que diz que a ICAR está a ficar sem privilégios e que não se vê que mais haverá para lhe retirar.
Se não é ignorância é má fé.
Senão vejamos dois exemplos:
1 - Tem a ICAR direitos de transmissão de cerimónias religiosas através da RTP, paga por todos os portugueses, e ainda dispõe de um programa diário enquanto as outras confissões fazem de primeira parte de vez em quando.
2 - Tem a concordata. Esta aberração que consiste num "tratado" entre dois Estados (Portugal e o Vaticano) que dá privilégios aos portugueses que trabalhem para o Vaticano (artigo 26), por exemplo. Suponhamos que existia um tratado entre Portugal e a Inglaterra que dava isenção fiscal aos portugueses que trabalhassem para firmas inglesas. Haveria protestos de neocolonialismo, no mínimo. Mas é isso que se passa com a empresa vaticana e seus delegados no nosso País. Mais ainda, "Artigo 25-1 A República Portuguesa declara o seu empenho na afectação de espaços a fins religiosos; 2. Os instrumentos de planeamento territorial deverão prever a afectação de espaços para fins religiosos".
Só o artigo 26, que isenta o Vaticano e seus agentes portugueses de impostos que todo o cidadão tem de pagar, continuando eles a usufruir das estruturas do Estado Português que não pagam é, como diria um religioso, "de bradar aos Céus". Os não católicos pagam a utilização destes meios pelas estruturas da ICAR, que os empregam para combater aqueles que não concordam com a sua doutrina.

Dia de Portugal

O dia de Portugal faz-me, a mim que acho que sou muito português, sentir desligado da realidade que pretende retratar, se é que pretende.
Para os portugueses em geral, um Presidente da República a chegar de barco, estilo desembraque de conquista, desfiles militares, condecorações e benzeduras nada têm a ver com a vida quotidiana que todos levamos.
Os militares acham que podem dar a vida pelo País, até pode ser verdade, mas todos os que trabalham dão a vida pelo País e pelos seus semelhantes. Nós, os outros, os que esperam pelos autocarros, pelo combóio, pelo metro, por que a bicha de carros se despache, os sapateiros, os médicos, os empregados de restaurante, os professores, os vendedores, os professores, os taxistas, os pilotos, os motoristas, os engenheiros, os caldeireiros, os jornalistas, os continuos, os engraxadores, os cozinheiros, os operários, os jardineiros, os alunos, os pais, as crianças, os estudantes, os arquitectos, os ascensoristas, os técnicos seja do que fôr, os comerciantes, os fabricantes, os empresários e tantos, tantos outros, é que fazemos andar Portugal.
Não são certamente os políticos, os militares e a ICAR.


PS Já depois de composto este texto tive conhecimento de que o Presidente da República entende que a cerimónia deve ser transmitida na íntegra pela RTP que pagamos. É saudável, os televisores ficam desligados mais umas horas.



Friday, June 08, 2007

Cumpridores

27 de Março de 2007, 17 h 51m

A Constituição Europeia (2)

No Conselho Superior de hoje, José Manuel Pureza, referiu com propriedade o medo que os políticos têm da democracia participada. Depois do último tratado, falhado, cozinhado por um Comissão presidida por Valéry Giscard d'Estaing, prepara-se um sistema de redacção-aprovação que fique contido nos meios políticos.
Não se queixem estes, que deviam ser nossos servidores mas que servem outros amos, se os eleitores lhes fogem por desconfiança legítima.

Wednesday, June 06, 2007

A Constituição Europeia (1)

A Constituição Europeia (CE), ou o tratado a que se dá este nome volta em breve aos media, uma vez que se está a negociar em bastidores um novo projecto que não será referendado, uma vez que as populações se poderiam opôr à sua instituição.
E temos aqui a primeira contradição de fundo desta questão, a CE pretende genericamente ser uma Lei de democracia instrínseca para todos os Estados membros e é recusada pelos seus autores a submissão à vontade popular expressa pelo voto. A discussão desta questão levaria muito longe, em termos de representatividade dos Parlamentos e Governos, ou da existência de vanguardas iluminadas.
Outra questão que se me pôs quando li a CE (versão francesa) é a sua estrutura. Mesmo não sendo jurista, posso compreender que uma constituição, em geral, são uns estatutos de funcionamento genérico de uma associação de um determinado número de associações elementares, ou de individuos. O projecto submetido a referendo entra em minudências que são normalmente excluidas deste tipo de documento, como por exemplo:
-- Titulo VII, artigo III-338 "A sede das instituições europeias é fixada por acordo entre os Estados membros" (tradução minha). Então quem havia de ser, os americanos?
-- Protocolo adicional sobre o Eurogrupo "Artigo 1, Os Ministros dos Estados que adoptaram o euro reunem-se informalmente...". Que informalidade, que até está na CE!!!
Além de tudo, a complicação jurídica, fez no meu entender com que os povos consultados rejeitassem o tratado.

Hergé - On a marché sur la Lune

Há poucos dias tive necessidade de mostrar um foguetão ao meu filho pequeno e o primeiro livro em que peguei foi "On a marché sur la Lune" de Hergé e só depois me apercebi que tinha passado em 22 de Maio o centenário do nascimento do autor. Ao abrir o album fiquei fascinado pela enésima vez com a qualidade e a beleza do desenho, que nos contou e conta uma história fantástica, em que a ficção se tornou realidade durante as nossas vidas.
Foram estes albuns de BD, juntamente com o Affaire Tournesol que marcaram toda uma geração de sonhadores com a Lua e com habilidades científicas capazes de modificar o Mundo.
A BD modificou-se com o tempo, evoluiu, mas felizmente não perdeu a capacidade de sonhar.

Saturday, June 02, 2007

ICAR

Não é o que pensamos, é Imagem Corporal Autoestima e Relação, um método de educação sexual do Movimento de Defesa da Vida. Coincidência ou talvez não.

Pois, na realidade, percebe-se logo...

Hoje no DN artigo de Anselmo Borges, padre...

....
Só Deus conhece Deus, que se manifesta e revela. É, pois, no Espírito de Deus que se conhece Deus e tudo quanto há, que só pode ser em Deus....

É claro como água.

Thursday, May 31, 2007

Aqui não entra quem não seja geómetra

Aqui não entra quem não seja geómetra, dizia Platão a quem queria entrar para a sua escola. Queria ele dizer que para se ser filósofo era necessário conhecer as ciências exactas.
Na sociedade actual, muito especializada, tende-se a esquecer este princípio, e aceita-se que uma pessoa seja muito culta se conhecer bem um determinado ramo das ciências, mesmo que seja aquele em que exerce a sua profissão. É uma deformação bastante comum e que leva a que um professor de História, por exemplo, seja considerado um espírito superior a um gestor, só porque pode contar aos amigos espisódios interessantes protagonizados pelos nossos antepassados. O gestor, ou o engenheiro, ou o matemático, ou o comerciante, etc. , só têm coisas consideradas prosaicas para contar, que são consideradas aborrecidas embora, por vezes, sejam muito esclarecedoras de fenómenos e comportamentos que interactuam na vida quotidiana de cada um. Ou seja, no meu entender, só é efectivamente dotado de cultura superior aquele que tem conhecimentos além da sua profissão, por exemplo, uma pessoa das chamadas Letras que discute Ciência e vice-versa.

Tuesday, May 29, 2007

Clubite

Os media tentam ser clubizar (ou futebolar) todos os assuntos. A última moda é aplicar este conceito a operações financeiras. Por exemplo, a OPA sobre a PT e a assembleia do BCP foram tratadas na imprensa em geral como se o comum dos cidadãos tivesse algum interesse em que uma das partes ganhasse, e as referidas questões não fossem mais do que determinar o melhor processo de esmifrar mais dinheiro ao consumidor para aumentar os lucros, já de si faraónicos, das instituições.

Monday, May 28, 2007

A Ota, ou melhor o aeroporto

Porque será que se movimentam interesses colossais em torno da localização do novo aeroporto de Lisboa?
Deve ser porque esses interesses detectam uma vontade política de o realizar, coisa que nunca aconteceu antes, apesar de o assunto ser muito discutido e estudado

Madeleine McCann

Devido ao melindre do assunto tinha pensado não me referir a ele especificamente neste local. Fiz uma referência genérica noutro contexto e acho que teria ficado por aí se não fosse a exploração de um circo mediático-religioso feita pelos pais da infeliz criança.
Soube-se hoje que o Sr XVI resolveu conceder uma audiência aos ditos pais, para lhes dizer onde está a filha, com certeza. Se se consulta a autoridade suprema na Terra abaixo de deus, o resultado só pode ser esse eu não tenho dúvidas.
A estupidez das vigílias, peregrinações, visitas, missas, velas e outras actividades dirigidas a entidades imaginárias, está patente no facto de que nenhum dos intervenientes se questionar o que estariam essas divindades a fazer quando a menina foi raptada. Estavam a assobiar para o lado, e não viram nada.
Entretanto sabe-se que o pais de Madeleine receberam ajuda financeira milionária, contrataram advogados carissimos, acessores de imprensa, e que até se apresentaram videntes para ajudar.
Declaram que não voltarão a casa sem a filha, muito bem, mas a maioria das pessoas teria que voltar para os seus empregos, por muito em baixo que estivessem.

Sunday, May 27, 2007

O público e o privado

No blog Esquerda Republicana aparece um artigo intitulado "Separar o trigo do joio", que, a propósito de acontecimentos recentes em universidades privadas (Independente e Moderna) exprime a opinião de que o dogma "tudo o que é privado é bom" tem levado a grandes disparates. Não posso estar mais de acordo, até porque sou contra todos os dogmas ou pressupostos absolutos e imutáveis.
Verifica-se, no entanto, que a política geral do nosso país nos últimos 20 anos se tem pautado pela destruição sistemática do sector público, mesmo daquele que corresponde a actividades que por motivos de segurança nacional deveria manter-se na posse do Estado Português.
Daí poder-se prever que o dogma enunciado por Ricardo Alves se transforme dentro de algum tempo em "tudo o que há é privado".

Quem nos governa?

Esta é uma questão muito importante e a que eu tenderia a responder: são os senhores PSI20, IBEX, CAC40, FTSE, DAX, NASDAQ, etc..

Saturday, May 26, 2007

Inundação de informação

Em conversa com alguns amigos chegámos rapidamente à conclusão que, uns mais e outros menos, nos estávamos a alhear do que se passa em torno de nós, do comportamento geral da sociedade até muitos fait-divers.

Depressa concluimos que estamos a abandonar a consulta aos orgãos de comunicação escritos e a deixar de fazer parte das audiências dos meios audio-visuais. Será a culpa nossa, será nosso o desinteresse?
Falndo por mim, digo peremptoriamente que não, que continuo interessado no meio em que estou inserido, só que os referidos media não proporcionam a informação que me interessa.
Todos os media são propriedade de alguém, no sentido de que não pertencem à sociedade em geral, mas a um grupo particular, seja ele económico, político, religioso, clubista, etc.. E, se alguns dão lucro, outros dão prejuízo, mas este último é coberto pelas vantagens, monetárias ou não, obtidas noutros campos.
Nestas condições é o público em geral bombardeado com "notícias" absolutamente inúteis, sendo por vezes notória a notícia que é "não temos nada de novo". O tempo é precioso e gasto de uma forma completamente inútil para os visados, mas muito útil para quem quer comandar as consciências, uma vez que impede o seu emprego na aquisição de conhecimentos válidos, que levem a pensar e eventualmente a contestar a maneira como a sociedade está a ser gerida.
Nos últimos tempos tem esta tendência sido agravada, com os casos da licenciatura do Primeiro-Ministro, da Câmara de Lisboa, dos ditos do Ministro das Obras Públicas, do aeroporto da Ota e da menina raptada no Algarve.
Pensemos: independentemente da maneira como cada caso afecta pessoalmente os intervenientes (sendo um dos casos uma tragédia), que influência têm realmente na evolução do País?
Há gente interessada em que não se pense, para que as soluções propostas sejam bem aceites, ou seja, há quem queira anestesiar os cérebros para poder actuar.

Wednesday, May 23, 2007

Agnósticos, ateus e religiões

A palavra religiões aparece no título, porque é a origem das outras, se não houvesse religiões não havia ateus ou agnósticos. As religiões aparecem para solucionar, para algumas pessoas, o problema da chamada salvação. Esta salvação não deve ser entendida como o é pelos judaico-cristãos, mas de uma forma mais lata, que se pode resumir como o objectivo de dar sentido à vida e conseguir a plena integração do individuo no meio, que para os estóicos era o cosmos e para os cristãos é a obtenção do paraíso.
Há pessoas que pretendem conseguir esse objectivo por si próprias, impondo regras de comportamento a si próprias, de forma a que a sua filosofia de vida os leve a um desenvolvimento harmonioso das relações com tudo o que os rodeia e necessitam de meditar nos seus objectivos e na maneira de os conseguir (é um grande só). Como não precisam que uma entidade designada por deus lhes dite o comportamento são chamadas ateus.
Outras pessoas, pelo contrário, precisam que alguém lhes diga o que e como fazer para atingir os mesmos objectivos, e como tem que ser alguém muito superior inventam deuses, que por processos mais ou menos sofisticados comunicam com os terrestres, exigindo-lhes comportamentos que lhes agradem. E assim aparecem as religiões, que, quando organizadas por peritos são um factor de alienação e de dominação das sociedades.
Quanto aos agnósticos, sempre achei esta coisa, ou seja, de se afirmar agnóstico, uma posição muito estranha, estilo enterrar a cabeça na areia. Esta minha estranheza agrava-se com o facto de a maioria das pessoas que se declaram agnósticas serem, ou pretenderem ser pensadores ou até filósofos. Afirmar que não se sabe se deus, ou melhor um deus existe ou não porque nunca se viu é o mesmo que afirmar que não se sabe se existem marcianos ou cavalos verdes, porque nunca se viu nenhum.
Cabe a quem faz uma afirmação prová-la e não o contrário, é na maior parte das vezes impossível provar a negação, exactamente pela sua própria natureza negativa. O ser é que deve ser provado, e portanto sendo o número de possibilidades negativas infinito é inútil ficarmos à espera que uma se torne em positiva para extrairmos as nossas conclusões.
Finalmente e para responder concretamente à pergunta tema do debate: o agnosticismo é a ausência de racionalização dos problemas, a religião é a transferência desses problemas (passar a batata-quente) e o ateismo é a assunção desses problemas de frente e com a coragem que a vida nos exige.

Debate interblogues, “Será o agnosticismo mais racional que o ateísmo?”, promovido por Helder Sanches

Wednesday, May 16, 2007

Livros a ler

Les bienveillantes - Jonathan Littel
La planète des saints -François Reynaert

Diferentes, mas muito bons, cada um no seu género.
Uma obra monumental sobre o período nazi e, para aliviar da tragédia, um livro cheio de bom humor.

Friday, May 04, 2007

Haxixe barato em Portugal

O haxixe é mais barato em Portugal que nos outros membros da União Europeia, segundo a Lusa.
Deve ser das poucas coisa em que isso acontece, porque será?

Finalmente, mas não tanto...

O Presidente da Câmara de Lisboa não renuncia, a vergonha continua. Esta gente ainda não percebeu que deve servir os contribuintes que lhe pagam e não o contrário.

Thursday, May 03, 2007

Finalmente

Depois de muito tergiversar, o PSD decidiu finalmente que a dissolução da Câmara de Lisboa era a melhor solução para a cidade. Agora vão todos pensar se também se deve dissolver a Assembleia Municipal. Enquanto estas sumidades pensam e resolvem a cidade degrada-se e a dívida aumenta.
Há soluções que são mais que evidentes e que só mesquinhos interesses partidários, que não têm nada a ver com os interesses da população, impedem que se concretizem de forma célere.

Friday, April 27, 2007

Câmaras

O Presidente da Câmara de Lisboa foi constituido arguido num caso de corrupção.
A Presidente da Câmara de Setúbal foi constituida arguida num caso de corrupção.
O Presidente da Câmara de Oeiras foi constituido arguido num caso de corrupção.
O Presidente da Câmara de Gondomar foi constituido arguido num caso de corrupção.
A Presidente da Câmara de Felgueiras foi constituida arguida num caso de corrupção.

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E nenhum abandona o cargo, pudera!!!!!!!!!!!!!

Tuesday, April 24, 2007

Refilices

Uma coisa que os Portugueses em geral não fazem é refilar, ou seja, protestar quando alguém os trata mal.

Evidentemente que se ligarmos a televisão à hora do telejornal podemos ver um certo número de pessoas a gritar que não sei o quê está mal, que é preciso acabar já com aquilo, e a fazer ameaças de que farão outra coisa qualquer se...

Mas, protestar devidamente, pouca gente o faz e os resultados são poucos, por isso mesmo. Existem entidades que, por serem públicas, ou concessionárias de algum espaço público, que têm obrigação de corresponder aos interesses dos contribuintes/pagadores, mas que se arrogam o direito de nem sequer responder a quem se lhes dirige, com propriedade e educação, uma vez que não se trata de insultar quem nos devia servir, mas de tentar que os serviços em geral melhorem.
Ultimamente fiz chegar as minhas queixas a quatro entidades: ANA (aeroporto), TAP, Câmara de Lisboa, ParquExpo e só a Câmara me respondeu, fazendo seguir a minha queixa para a ParquExpo, que pelo menos até à data, passados dois meses, tem feito ouvidos de mercador.

Sunday, April 22, 2007

Eleições francesas

Parece que os franceses tiveram juízo e se deixaram de votos punitivos estranhos. O problema é que os dois candidatos que ficam em liça, se não defendem abertamente medidas restritivas e xenófobas, podem tê-las em mente para futura aplicação. Segolène Royal é reaccionária do ponto de vista social, fazendo uma boa parelha com Sarkozy.

Mais um

Um padre de Florença foi finalmente afastado de funções eclesiásticas depois de passar quarenta anos a abusar de meninas.
O argumento usado era que a "Virgem Maria" teria doze anos quando estava grávida de Jesus Cristo, sem dúvida um facto que lhe foi ensinado no seminário.
Como é costume a hierarquia da ICAR protegeu este criminoso até ser impossível continuar a fazê-lo.

(NouvelObservateur, 19/04/20007)

Friday, March 30, 2007

Democracia, Salazar e sêlos

Pessoa amiga fez-me notar que os CTT estavam a fazer uma campanha que os ajuda a determinar o assunto e possivelmente os conteúdos das novas emissões de sêlos, solicitando que eu votasse num assunto que achava de interesse nacional. Assim fiz e passado algum tempo, hoje, fui ver como estavam os números e fiquei absolutamente siderado. Os resultados mostram agora que os assuntos mais interessantes para os votantes são e por esta ordem: infertilidade, 60 anos da land-rover, radioamadorismo, taekwondo e automóveis portugueses. Muito mais abaixo na classificação estão: a arte portuguesa, figuras da República, ilustres reis de Portugal, origens do povo português, ciência em Portugal, etc..
Também há pouco tempo Salazar ganhou um concurso postumamente, em que a votação se fazia por via telefónica, facto que fez correr muita gente durante um ou dois dias, que é o tempo que duram as grandes notícias actualmente.
Há poucos dias também no Iraque, com pessoas a morrer todos os dias, com todas as instalações que proporcionam um viver razoável mais ou menos destruidas pela invasão anglo-americana, se correu a comprar cartões de telemóvel para votar num concurso de cantores que se realizava no Líbano, sendo uma concorrente de nacionalidade iraquiana.
Estes dois concursos, são idênticos na génese, embora com objectivos ligeiramente diferentes a um Big Brother qualquer em que se simula a democracia, com o objectivode arrecadar ganhos para o promotor. O mais grave é que os resultados são anunciados como "os portugueses (ou os iraquianos, ou franceses, ou...) escolheram para melhor cantor, ou maior português, fulano de tal. Estas proposições são aceites em geral e a maioria das pessoas fica espantada, quando digo "eles escolheram".
Na democracia que temos como regime, também nem toda a gente vota, mas toda a gente pode votar uma vez, é o príncipio um homem um voto, que se tenta aplicar o mais estritamente possível. Nos tais concursos isso não acontece, apenas se faz parecer que acontece, porque se uma pessoa votar mais que uma vez o lucro da organização aumenta e, por outro lado, como os votantes são relativamente poucos, não se corre o risco de serem em número superior à população.
Por mim a reacção que tenho e que preconizo em relação aos votos pagos, é simplesmente não votar
e em relação aos outros escolher os assuntos que me interessam e actuar em conformidade, sem paixões nem clubismos.

Monday, March 26, 2007

Chirac

Este Presidente da França nunca me convenceu, quer por ser um bocado canhestro, quer por se posicionar de uma maneira que não me agrada. Teve muitos problemas que não foi capaz de resolver, teve primeiros ministros e ministros incompetentes, e sob os doze anos em que governou a França, o país recuou económica e socialmente.
Teve, no entanto, dois pontos altos na sua actuação, o primeiro foi a oposição que fez a GWBush-Blair a propósito da guerra do Iraque, o que lhe grangeou e aos franceses a inimizade de muitos americanos. O segundo ponto alto foi na sua despedida, em que declarou aos franceses e faço minhas as suas palavras: « Ne composez jamais avec l'extrémisme, le racisme, l'antisémitisme ou le rejet de l'autre. »

Tomáramos nós, os portugueses ter um Presidente capaz de fazer uma declaração assim.

Sunday, March 25, 2007

Cavaquices

O nosso Presidente da República lá teve que fazer uma cavaquice: não convidar Mário Soares para as cerimónias de adesão à União Europeia. As desculpas foram o mais esfarrapadas possível...
De facto o senhor não tem nível nenhum.
Ver Ponte Europa

Thursday, March 22, 2007

O Público, adeus

O Público de 22 de Março ataca o Primeiro Ministro com uma história de hipotética falsificação de diplomas universitários. É ou não José Sócrates um Engenheiro?, eis a questão. Se a pessoa estivesse a assinar projectos como responsável técnico, esta questão seriade grande importância, mas como não é o caso, conclui-se que se trata de incomodar José Sócrates com uma questão que não tem a ver com a governação.
Por coincidência, ou não, esta polémica aparece assim que o dono do Público, Belmiro de Azevedo, perdeu a OPA sobre a PT, e segundo ele disse por culpa do Governo.
O artigo em questão foi abundantemente comentado, mas os meus, apesar de correctos, talvez sejam um pouco ácidos de mais e são censurados pela redacção.
À semelhança do que fiz com o Expresso, há algum tempo, quando acusou Jorge Sampaio de uma ilegalidade na aprovação da Lei da Defesa Nacional na Assembleia da República, digo adeus ao Público, com o meu dinheiro não se vão governar.

Canal do Marne ao Reno, comporta

Em que sítio vivemos (Bild, hoje)

O Charlie Hebdo foi absolvido no caso das caricaturas de Maomé, sendo este caso em França, ninguém ficará muito espantado.

Na Alemanha uma juíza invocou o Corão para recusar o divórcio a uma senhora alemã de origem marroquina que é vítima de maus tratos por parte do marido. O processo foi retirado a Christa Datz-Winter que pensa que as mulheres muçulmanas podem apanhar pancada que não faz mal..

Wednesday, March 21, 2007

O parque da campismo da CaparOta ou o aeroporto da Otarica

Um dia destes o líder de um grande partido acordou muito mal disposto, é verdade o Sr. Mendes deve ter tido insónias e logo de manhã lembrou-se que há algum tempo não fazia nada para dizer mal do Sr. Sócrates, que é o que os seus amigos esperam dele. De facto não se pretende que planeie nada de inteligente, nem que diga alguma coisa que valha a pena, só interessa que diga mal do que o outro faz (e vice-versa).
Como o Sr. Sócrates é que manda no país, o que lhe resta é percorrer os jornais e arranjar motivos, no seu entender fortes, para criticar a acção do outro. Ao rever a comunicação social teve uma ideia genial: atacar o projecto do aeroporto da Ota e esperar que as marés fizessem alguma coisa de mau ao longo da costa.
Esqueceu muito convenientemente que o seu partido já tinha apoiado a construção do aeroporto naquele local e contratou técnicos, juristas, ecomomistas e quejandos para contrapôr argumentos à referida construção. Esta é a parte mais fácil de realizar, uma vez que há sempre gente pronta a dizer mal do que se faz, que pode não ser perfeito, mas é feito (1). E vieram muitos, que é muito caro, que não vai durar, que é longe, que é contra o ambiente, que tem vento assim ou assado, etc.. É claro que a comunicação social, pública e privada achou que era óptimo, acabados o referendo e a OPA, passamos para a OTA; uma noite destas havia dois canais televisivos com debates directos e em simultaneo sobre este assunto. Aliás toda a gente tem uma opinião.
Muito contente com o resultado, que obrigou membros do Governo a desdobrarem-se em justificações, algumas já muito conhecidas, o Sr. Mendes passou à segunda frente e também teve sorte: as marés do equinócio inundaram e destruiram o chamado parque de campismo da Costa da Caparica. Chamado, porque um parque de campismo verdadeiro não deve conter instalações de habitação permanente como é o caso. Voltando ao assunto: o Sr. Mendes precipitou-se para o parque e fez declarações para ver se aparecia outra vez nos telejornais, opinou sobre hidraulica, que não é manifestamente a sua especialidade, atacou o Sr. Sócrates por causa das marés, e da água, mas não conseguiu grande coisa.
Como deve estar agora a pensar no que fará a seguir, não o aeroporto na Baixa de Lisboa, não, também não pense em pôr os alegados campistas na Ponte, permita-me que lhe dê uma ideia: ponha os cam(pistas) nas pistas da Ota e o aeroporto na Caparica, assim uns apanham ar do campo e os turistas ficam logo na praia.

O Cerco de Óbidos

No domingo passado houve uma grande batalha, que ficará conhecida na história de Portugal como a batalha de Óbidos.
Estando grande parte da aglomeração defendida por muralhas, a técnica usada para assaltar o reduto dos Cristãos de S.Castro (CDS) por parte do Povo à Porta (PP) foi o cerco. Este cerco já se vinha advinhando a partir do momento em que Paulo começou a desinquietar o povo para desalojar os CDS da fortaleza, uma vez que precisa de um baluarte para, diz ele, se abalançar a conquistas maiores, talvez o domínio do país. As más línguas não acreditam e sussurram que o que ele pretende são apenas os domínios dos CDS, uma vez que estaria sem nenhuma tença que o sustentasse.
Como é seu hábito Paulo utilizou a táctica de ataque de guerrilha, muito rápido, ao reduto inimigo estabelecendo o cerco quando este menos esperava. Também ele não contava com tanta resistência por parte dos sitiados, pensando que alguns destes se juntariam à sua causa. Enganou-se, uma heroína do CDS, a D. Maria, da família dos Galos Pequenos, ergueu uma barreira intransponível à passagem dos seus cavaleiros e soldados e Paulo teve de bater em retirada, acabando por apresentar a sua pretensão ao Conselho dos Homens Bons dos CDS.
D. Maria, dos Galos Pequenos, afirma que vai recolher a um convento e que vai abandonar as lides guerreiras.

Tuesday, March 20, 2007

Aparições

Não, não vou falar das hipotéticas, vou falar de umas bem reais e não menos espantosas. Santana Lopes e Paulo Portas inundam a comunicação social ( que abre as válvulas) com declarações de intenção de re-conquistar o poder. Atendendo ao que aconteceu num passado muito recente, é realmente espantosa a lata que estes ex-sócios num Governo de Portugal têm para se apresentarem em público.
Os dislates que o Governo comum (a acrescentar aos de Durão Barroso) fez no nosso País deviam prevenir a re-aparição de tais personagens.
Se chegarem ao Governo será então que Portugal vai ter um porta-aviões?

Saturday, March 17, 2007

Comentário sobre comentadores

Existe em Portugal uma profissão, por certo rendosa, que é a de comentador. A diferença entre estas pessoas e o autor destas linhas, é que ninguém me paga para dizer o que penso. Pelo contrário, eu é que pago a alguns, os da RTP para que eles digam o que pensam.
Poder-se-ia aventar que é útil que algumas pessoas elaborem sobre a actualidade de forma a esclarecerem os outros cidadãos sobre os mistérios do que vai acontecendo no quotidiano. Em geral não é isso que se passa, estando os comentadores enfeudados a interesses políticos, económicos e pessoais que os levam a distorcer os pensamentos de forma a levarem a água ao seu moínho. Por outro lado a diferença entre um comentador e um filósofo é que o segundo pensa e o primeiro tenta adivinhar o que os outros pensam. Quem é que nunca ouviu um destes senhores(as) dizer "como o sr primeiro ministro (ou outra entidade) não disse nada (ou não fez, não foi) isso quer dizer que ....".
Existem comentadores de várias categorias, como sejam os internacionais, os nacionais, os de cinema, os de futebol, que são o nec plus ultra, e muitos outros.
Uma categoria à parte é a dos comentadores de tudo. Enquanto o comum dos mortais sabe alguma coisa da sua profissão e de mais uns quantos assuntos que estudou como divertimento, estes senhores sabem tudo, política nacional, internacional, macroeconomia, microeconomia, literatura, cinema, futebol, religiões, botânica, etc... Claro que muitas vezes sai asneira ou entra mosca.
Não posso deixar de referir Marcelo Rebelo de Sousa, que é muito popular, só para recomendar que cortem a côr e o som enquanto ele fala e apreciem a qualidade do jogo fisionómico, digno de um filme do príncipio do século passado ou de um vendedor da banha da cobra empoleirado num caixote a tentar convencer as pequenas multidões que se juntavam em torno deles.

Friday, March 16, 2007

Polónia

A partir de 15 de Março os cidadãos polacos que exerçam determinado tipo de funções e tenham nascido antes de 1972 têm de declarar se colaboraram com a polícia política comunista. As declarações serão confrontadas com a documentação do regime extinto.
Esta acção de descomunização tem cheiro à tristemente célebre eliminação da conspiração judaico-bolchevique.
Este país, a Polónia, faz parte da União Europeia, e pouco se ouviu falar neste assunto.

A APOTEC

Até hoje não sabia que existia a APOTEC, Associação Portuguesa dos Técnicos de Contabilidade, mas graças ao serviço público de rádio essa lacuna nos meus conhecimentos foi eliminada.
Fiquei também informado da existência do Centro de Estudos de História da Contabilidade, que trará por certo importantes achegas ao nosso conhecimento do passado.

La grande vadrouille

O título deste filme com Louis de Funès aplica-se bem à notícia de primeira página do Correio da Manhã: Traficantes levam lancha à Marinha


Thursday, March 15, 2007

O Parlamento israelita recusou uma lei que reconhecia implicitamente o genocídio turco sobre os arménios em 1915. O Presidente do Irão também não reconhece o genocídio alemão sobre os judeus durante o nazismo.
Entre os dois que diferença há?

Wednesday, March 14, 2007

Vamos a ver o que isto dá. Toda a gente escreve, e diz o que lhe apetece, porque não também eu? Pelo menos não há censura.