Friday, March 30, 2007

Democracia, Salazar e sêlos

Pessoa amiga fez-me notar que os CTT estavam a fazer uma campanha que os ajuda a determinar o assunto e possivelmente os conteúdos das novas emissões de sêlos, solicitando que eu votasse num assunto que achava de interesse nacional. Assim fiz e passado algum tempo, hoje, fui ver como estavam os números e fiquei absolutamente siderado. Os resultados mostram agora que os assuntos mais interessantes para os votantes são e por esta ordem: infertilidade, 60 anos da land-rover, radioamadorismo, taekwondo e automóveis portugueses. Muito mais abaixo na classificação estão: a arte portuguesa, figuras da República, ilustres reis de Portugal, origens do povo português, ciência em Portugal, etc..
Também há pouco tempo Salazar ganhou um concurso postumamente, em que a votação se fazia por via telefónica, facto que fez correr muita gente durante um ou dois dias, que é o tempo que duram as grandes notícias actualmente.
Há poucos dias também no Iraque, com pessoas a morrer todos os dias, com todas as instalações que proporcionam um viver razoável mais ou menos destruidas pela invasão anglo-americana, se correu a comprar cartões de telemóvel para votar num concurso de cantores que se realizava no Líbano, sendo uma concorrente de nacionalidade iraquiana.
Estes dois concursos, são idênticos na génese, embora com objectivos ligeiramente diferentes a um Big Brother qualquer em que se simula a democracia, com o objectivode arrecadar ganhos para o promotor. O mais grave é que os resultados são anunciados como "os portugueses (ou os iraquianos, ou franceses, ou...) escolheram para melhor cantor, ou maior português, fulano de tal. Estas proposições são aceites em geral e a maioria das pessoas fica espantada, quando digo "eles escolheram".
Na democracia que temos como regime, também nem toda a gente vota, mas toda a gente pode votar uma vez, é o príncipio um homem um voto, que se tenta aplicar o mais estritamente possível. Nos tais concursos isso não acontece, apenas se faz parecer que acontece, porque se uma pessoa votar mais que uma vez o lucro da organização aumenta e, por outro lado, como os votantes são relativamente poucos, não se corre o risco de serem em número superior à população.
Por mim a reacção que tenho e que preconizo em relação aos votos pagos, é simplesmente não votar
e em relação aos outros escolher os assuntos que me interessam e actuar em conformidade, sem paixões nem clubismos.

Monday, March 26, 2007

Chirac

Este Presidente da França nunca me convenceu, quer por ser um bocado canhestro, quer por se posicionar de uma maneira que não me agrada. Teve muitos problemas que não foi capaz de resolver, teve primeiros ministros e ministros incompetentes, e sob os doze anos em que governou a França, o país recuou económica e socialmente.
Teve, no entanto, dois pontos altos na sua actuação, o primeiro foi a oposição que fez a GWBush-Blair a propósito da guerra do Iraque, o que lhe grangeou e aos franceses a inimizade de muitos americanos. O segundo ponto alto foi na sua despedida, em que declarou aos franceses e faço minhas as suas palavras: « Ne composez jamais avec l'extrémisme, le racisme, l'antisémitisme ou le rejet de l'autre. »

Tomáramos nós, os portugueses ter um Presidente capaz de fazer uma declaração assim.

Sunday, March 25, 2007

Cavaquices

O nosso Presidente da República lá teve que fazer uma cavaquice: não convidar Mário Soares para as cerimónias de adesão à União Europeia. As desculpas foram o mais esfarrapadas possível...
De facto o senhor não tem nível nenhum.
Ver Ponte Europa

Thursday, March 22, 2007

O Público, adeus

O Público de 22 de Março ataca o Primeiro Ministro com uma história de hipotética falsificação de diplomas universitários. É ou não José Sócrates um Engenheiro?, eis a questão. Se a pessoa estivesse a assinar projectos como responsável técnico, esta questão seriade grande importância, mas como não é o caso, conclui-se que se trata de incomodar José Sócrates com uma questão que não tem a ver com a governação.
Por coincidência, ou não, esta polémica aparece assim que o dono do Público, Belmiro de Azevedo, perdeu a OPA sobre a PT, e segundo ele disse por culpa do Governo.
O artigo em questão foi abundantemente comentado, mas os meus, apesar de correctos, talvez sejam um pouco ácidos de mais e são censurados pela redacção.
À semelhança do que fiz com o Expresso, há algum tempo, quando acusou Jorge Sampaio de uma ilegalidade na aprovação da Lei da Defesa Nacional na Assembleia da República, digo adeus ao Público, com o meu dinheiro não se vão governar.

Canal do Marne ao Reno, comporta

Em que sítio vivemos (Bild, hoje)

O Charlie Hebdo foi absolvido no caso das caricaturas de Maomé, sendo este caso em França, ninguém ficará muito espantado.

Na Alemanha uma juíza invocou o Corão para recusar o divórcio a uma senhora alemã de origem marroquina que é vítima de maus tratos por parte do marido. O processo foi retirado a Christa Datz-Winter que pensa que as mulheres muçulmanas podem apanhar pancada que não faz mal..

Wednesday, March 21, 2007

O parque da campismo da CaparOta ou o aeroporto da Otarica

Um dia destes o líder de um grande partido acordou muito mal disposto, é verdade o Sr. Mendes deve ter tido insónias e logo de manhã lembrou-se que há algum tempo não fazia nada para dizer mal do Sr. Sócrates, que é o que os seus amigos esperam dele. De facto não se pretende que planeie nada de inteligente, nem que diga alguma coisa que valha a pena, só interessa que diga mal do que o outro faz (e vice-versa).
Como o Sr. Sócrates é que manda no país, o que lhe resta é percorrer os jornais e arranjar motivos, no seu entender fortes, para criticar a acção do outro. Ao rever a comunicação social teve uma ideia genial: atacar o projecto do aeroporto da Ota e esperar que as marés fizessem alguma coisa de mau ao longo da costa.
Esqueceu muito convenientemente que o seu partido já tinha apoiado a construção do aeroporto naquele local e contratou técnicos, juristas, ecomomistas e quejandos para contrapôr argumentos à referida construção. Esta é a parte mais fácil de realizar, uma vez que há sempre gente pronta a dizer mal do que se faz, que pode não ser perfeito, mas é feito (1). E vieram muitos, que é muito caro, que não vai durar, que é longe, que é contra o ambiente, que tem vento assim ou assado, etc.. É claro que a comunicação social, pública e privada achou que era óptimo, acabados o referendo e a OPA, passamos para a OTA; uma noite destas havia dois canais televisivos com debates directos e em simultaneo sobre este assunto. Aliás toda a gente tem uma opinião.
Muito contente com o resultado, que obrigou membros do Governo a desdobrarem-se em justificações, algumas já muito conhecidas, o Sr. Mendes passou à segunda frente e também teve sorte: as marés do equinócio inundaram e destruiram o chamado parque de campismo da Costa da Caparica. Chamado, porque um parque de campismo verdadeiro não deve conter instalações de habitação permanente como é o caso. Voltando ao assunto: o Sr. Mendes precipitou-se para o parque e fez declarações para ver se aparecia outra vez nos telejornais, opinou sobre hidraulica, que não é manifestamente a sua especialidade, atacou o Sr. Sócrates por causa das marés, e da água, mas não conseguiu grande coisa.
Como deve estar agora a pensar no que fará a seguir, não o aeroporto na Baixa de Lisboa, não, também não pense em pôr os alegados campistas na Ponte, permita-me que lhe dê uma ideia: ponha os cam(pistas) nas pistas da Ota e o aeroporto na Caparica, assim uns apanham ar do campo e os turistas ficam logo na praia.

O Cerco de Óbidos

No domingo passado houve uma grande batalha, que ficará conhecida na história de Portugal como a batalha de Óbidos.
Estando grande parte da aglomeração defendida por muralhas, a técnica usada para assaltar o reduto dos Cristãos de S.Castro (CDS) por parte do Povo à Porta (PP) foi o cerco. Este cerco já se vinha advinhando a partir do momento em que Paulo começou a desinquietar o povo para desalojar os CDS da fortaleza, uma vez que precisa de um baluarte para, diz ele, se abalançar a conquistas maiores, talvez o domínio do país. As más línguas não acreditam e sussurram que o que ele pretende são apenas os domínios dos CDS, uma vez que estaria sem nenhuma tença que o sustentasse.
Como é seu hábito Paulo utilizou a táctica de ataque de guerrilha, muito rápido, ao reduto inimigo estabelecendo o cerco quando este menos esperava. Também ele não contava com tanta resistência por parte dos sitiados, pensando que alguns destes se juntariam à sua causa. Enganou-se, uma heroína do CDS, a D. Maria, da família dos Galos Pequenos, ergueu uma barreira intransponível à passagem dos seus cavaleiros e soldados e Paulo teve de bater em retirada, acabando por apresentar a sua pretensão ao Conselho dos Homens Bons dos CDS.
D. Maria, dos Galos Pequenos, afirma que vai recolher a um convento e que vai abandonar as lides guerreiras.

Tuesday, March 20, 2007

Aparições

Não, não vou falar das hipotéticas, vou falar de umas bem reais e não menos espantosas. Santana Lopes e Paulo Portas inundam a comunicação social ( que abre as válvulas) com declarações de intenção de re-conquistar o poder. Atendendo ao que aconteceu num passado muito recente, é realmente espantosa a lata que estes ex-sócios num Governo de Portugal têm para se apresentarem em público.
Os dislates que o Governo comum (a acrescentar aos de Durão Barroso) fez no nosso País deviam prevenir a re-aparição de tais personagens.
Se chegarem ao Governo será então que Portugal vai ter um porta-aviões?

Saturday, March 17, 2007

Comentário sobre comentadores

Existe em Portugal uma profissão, por certo rendosa, que é a de comentador. A diferença entre estas pessoas e o autor destas linhas, é que ninguém me paga para dizer o que penso. Pelo contrário, eu é que pago a alguns, os da RTP para que eles digam o que pensam.
Poder-se-ia aventar que é útil que algumas pessoas elaborem sobre a actualidade de forma a esclarecerem os outros cidadãos sobre os mistérios do que vai acontecendo no quotidiano. Em geral não é isso que se passa, estando os comentadores enfeudados a interesses políticos, económicos e pessoais que os levam a distorcer os pensamentos de forma a levarem a água ao seu moínho. Por outro lado a diferença entre um comentador e um filósofo é que o segundo pensa e o primeiro tenta adivinhar o que os outros pensam. Quem é que nunca ouviu um destes senhores(as) dizer "como o sr primeiro ministro (ou outra entidade) não disse nada (ou não fez, não foi) isso quer dizer que ....".
Existem comentadores de várias categorias, como sejam os internacionais, os nacionais, os de cinema, os de futebol, que são o nec plus ultra, e muitos outros.
Uma categoria à parte é a dos comentadores de tudo. Enquanto o comum dos mortais sabe alguma coisa da sua profissão e de mais uns quantos assuntos que estudou como divertimento, estes senhores sabem tudo, política nacional, internacional, macroeconomia, microeconomia, literatura, cinema, futebol, religiões, botânica, etc... Claro que muitas vezes sai asneira ou entra mosca.
Não posso deixar de referir Marcelo Rebelo de Sousa, que é muito popular, só para recomendar que cortem a côr e o som enquanto ele fala e apreciem a qualidade do jogo fisionómico, digno de um filme do príncipio do século passado ou de um vendedor da banha da cobra empoleirado num caixote a tentar convencer as pequenas multidões que se juntavam em torno deles.

Friday, March 16, 2007

Polónia

A partir de 15 de Março os cidadãos polacos que exerçam determinado tipo de funções e tenham nascido antes de 1972 têm de declarar se colaboraram com a polícia política comunista. As declarações serão confrontadas com a documentação do regime extinto.
Esta acção de descomunização tem cheiro à tristemente célebre eliminação da conspiração judaico-bolchevique.
Este país, a Polónia, faz parte da União Europeia, e pouco se ouviu falar neste assunto.

A APOTEC

Até hoje não sabia que existia a APOTEC, Associação Portuguesa dos Técnicos de Contabilidade, mas graças ao serviço público de rádio essa lacuna nos meus conhecimentos foi eliminada.
Fiquei também informado da existência do Centro de Estudos de História da Contabilidade, que trará por certo importantes achegas ao nosso conhecimento do passado.

La grande vadrouille

O título deste filme com Louis de Funès aplica-se bem à notícia de primeira página do Correio da Manhã: Traficantes levam lancha à Marinha


Thursday, March 15, 2007

O Parlamento israelita recusou uma lei que reconhecia implicitamente o genocídio turco sobre os arménios em 1915. O Presidente do Irão também não reconhece o genocídio alemão sobre os judeus durante o nazismo.
Entre os dois que diferença há?

Wednesday, March 14, 2007

Vamos a ver o que isto dá. Toda a gente escreve, e diz o que lhe apetece, porque não também eu? Pelo menos não há censura.